"Lutaremos até que ninguém possa lutar contra nós..."

domingo, 12 de agosto de 2012


A Lista
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Sentia mesmo que era mesmo diferente
sentia que aquilo ali não era seu lugar..."

terça-feira, 24 de julho de 2012

Tudo nos é proibido, a não ser cruzarmos os braços?

        A pobreza não está escrita nos astros; o subdesenvolvimento não é fruto de um obscuro desígnio de Deus. As classes dominantes põem as barbas de molho, e ao mesmo tempo anunciam o inferno para todos. De certo modo, a direita tem razão quando se identifica com a tranquilidade e a ordem; é a ordem, de fato, da cotidiana humilhação das maiorias, mas ordem em última análise; a tranquilidade de que a injustiça continue sendo injusta e a fome faminta. Se o futuro se transforma numa caixa de surpresas, o conservador grita, com toda razão: "Traíram-me." E os ideólogos da impotência, os escravos, que olham a si mesmo com os olhos do dono, não demoram a escutar seus clamores. A águia de bronze do MAINE, derrubada no dia da vitória da revolução cubana, jaz agora abandonada, com as asas quebradas sob o portal do bairro velho de La Habana. A partir de Cuba, outros países iniciaram, por vias distintas e com meios distintos, a experiência da mudança: a perpetuação da ordem atual das coisas é a perpetuação do crime. RECUPERAR OS BENS QUE SEMPRE FORAM USURPADOS, EQUIVALE A RECUPERAR O DESTINO.
                                                     As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano

        Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos. Na alquimia colonial e neo-colonial, o ouro se transforma em sucata e os alimentos se convertem em veneno...
        A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem estar de nossas classes dominantes -dominantes para dentro, dominadas de fora- é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga...
                                                As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano

terça-feira, 5 de junho de 2012

"Aviso: Se você está lendo isso, então isto é para você. Cada segundo perdido lendo este texto inútil é outro segundo a menos da sua vida. Você não tem outras coisas para fazer? A sua vida é tão vazia que você honestamente não consegue pensar numa maneira melhor de vive-la? Ou você fica tão impressionado com a autoridade daqueles que a exercem sobre você? Você lê tudo o que deveria ler? Você pensa tudo o que deveria pensar? Compra tudo o que lhe dizem para comprar? Saia do seu apartamento. Encontre alguém do sexo oposto. Pare de comprar tanto... Peça demissão. Comece a brigar. Prove que está vivo. Se você não fizer valer pelo seu lado humano você se tornará apenas mais um número. Você foi avisado."
                                         Tyler Durden - Fight Club

quarta-feira, 30 de maio de 2012

"... gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo atrás de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso o que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."                                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                     On The Road - Jack Kerouac 


sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Que sensação é essa, quando você está se afastando das pessoas e elas retrocedem na planície até você ver o espectro delas se dissolvendo? - é o vasto mundo nos engolindo, e é o Adeus. Mas nos jogamos em frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu."
Jack Kerouac, On The Road.






segunda-feira, 14 de maio de 2012

Massacre de Porongos


Esse é um dos melhores relatos que já tive a oportunidade de ler. Indicação de meu amigo Márcio Feyh; post do seu blog Pelas Bandas da Esquerda


ANO 117 Nº 45 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 14 DE NOVEMBRO DE 2011

Todo dia 14 de novembro eu penso no massacre de Porongos, acontecido em 1844, no final da "gloriosa" Revolução Farroupilha, quando, por simples coincidência, tropas imperiais caíram justo sobre o acampamento dos negros a serviço dos farrapos e os assassinaram. O acampamento dos brancos teve mais sorte. Na véspera da chacina, o comandante farrapo Davi Canabarro recebeu um aviso por um emissário da irmã do general Neto, fazendeira na região, de que os imperiais estavam na área. Canabarro saiu-se com uma bravata: "O Moringue sentindo a minha catinga aqui não vem. Marche para a sua casa e não ande espalhando esta notícia aterradora aqui no acampamento". Não bastasse, mandou desarmar a infantaria, tirando-lhe o cartuchame. Está tudo documentado. Faço uma minuciosa análise de tudo o que aconteceu em meu livro, odiado por muitos, que prometeram até me capar, "História Regional da Infâmia, o Destino dos Negros Farrapos e Outras Iniquidades Brasileiras".
Não falo disso para fazer autopropaganda. Não é preciso. O livro vende muito bem. Falo para homenagear os negros que foram sacaneados. Eram, na maioria, escravos dos imperiais cooptados pelos farroupilhas com a promessa de liberdade em caso de vitória. Tornaram-se, porém, um obstáculo para a paz, pois seus donos exigiam que fossem devolvidos. O providencial ataque aos negros desarmados em Porongos eliminou uma parte considerável do problema. Aqueles que escaparam foram entregues a Caxias e enviados para o Rio de Janeiro, onde se tornaram escravos da Nação, depositados no Arsenal da Marinha. Existe também a famosa carta assinada por Caxias que dá conta de uma combinação com Canabarro, que acabou fugindo só de cuecas, para eliminar os negros. A carta teria sido assinada depois dos fatos. Um caso único. Assinatura verdadeira, conteúdo falso. Uma linda fábula farroupilha. Malabarismos são feitos para justificar Caxias e Canabarro, que morreram mudos sobre o assunto. Tenta-se explicar a retirada do cartuchame. Tudo lógico demais para ser verdadeiro. Os negros foram rifados em Porongos.
Lanceiros e infantes negros morreram para que um acerto entre os fazendeiros brancos e o Império se concretizasse. Tentou-se apagar previamente a imagem futura de traição dos farrapos aos negros, com a entrega deles aos imperiais, com uma traição ainda maior, a entrega das suas vidas ao inimigo que se sabia próximo e pronto para atacar. Eu li tudo. Não me contaram. Não venham com "subsídios". Eu analisei como ninguém todo o processo e provei que os negros foram levados para o Rio de Janeiro, não para a Fazenda Santa Cruz como se dizia, quando não se negava isso, mas para o Arsenal da Marinha. Provei também que a revolução louvada como abolicionista vendeu negros no Uruguai para se financiar. Por isso, todo ano, em novembro, eu penso naqueles bravos negros massacrados em função de uma esperteza dos nossos "heróis". Aquilo foi malandragem e covardia. Não me venham com "eram os valores da época". A infâmia é intemporal e universal. Os negros sabiam muito bem disso.
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=45&Caderno=0&Editoria=120&Noticia=359871

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

“A primeira vez que li Emma Goldman não foi em um livro. Eu tinha 16 anos, e estava caminhando perto da fronteira de Nevada. A citação estava pintada na parede, em vermelho. Quando vi aquelas palavras, foi como se alguém as tivesse arrancado de dentro da minha cabeça:




 ‘Anarquismo, representa a libertação da mente humana e do domínio da religião. Libertação do corpo humano do domínio da propriedade. Libertação das algemas e da contenção do governo. Representa a ordem social baseada na liberdade de grupos de indivíduos.’




 O conceito era puro, simples, verdadeiro. Me inspirava. Acendeu o fogo da rebelião. Mas ultimamente, eu aprendi a lição que Goldman, Proudhon e outros aprenderam. Que verdadeira liberdade requer sacrifício e dor. A maioria dos seres humanos pensam apenas que querem liberdade. Na verdade, eles anseiam pela escravidão da ordem social, leis rígidas, materialismo. 
A única liberdade que o homem quer realmente é a liberdade de ficar confortável.”
“A primeira vez que li Emma Goldman não foi em um livro. Eu tinha 16 anos, e estava caminhando perto da fronteira de Nevada. A citação estava pintada na parede, em vermelho. Quando vi aquelas palavras, foi como se alguém as tivesse arrancado de dentro da minha cabeça:
‘Anarquismo, representa a libertação da mente humana e do domínio da religião. Libertação do corpo humano do domínio da propriedade. Libertação das algemas e da contenção do governo. Representa a ordem social baseada na liberdade de grupos de indivíduos.’
O conceito era puro, simples, verdadeiro. Me inspirava. Acendeu o fogo da rebelião. Mas ultimamente, eu aprendi a lição que Goldman, Proudhon e outros aprenderam. Que verdadeira liberdade requer sacrifício e dor. A maioria dos seres humanos pensam apenas que querem liberdade. Na verdade, eles anseiam pela escravidão da ordem social, leis rígidas, materialismo.
A única liberdade que o homem quer realmente, é a liberdade de ficar confortável.